Padre prometia santificar a perereca de fiéis para recuperar a virgindade e aproveitava para abusar sexualmente delas

17/08/2017

Um padre foi preso em Goiás, na cidade de Caiapônia durante operação "Sacrilégio" nessa quarta-feira (14) em atendimento a um requerimento do Ministério Público de Goiás. O religioso prometia devolver a virgindade de fiéis, inclusive uma menor, e se aproveitava disso para cometer os abusos sexuais. Além do Ministério Público (MP), a operação contou com as polícias Militar e Civil.

Os depoimentos detalharam a estratégia que teria sido utilizada pelo padre para seduzir e convencer as vítimas a aceitar a prática do abuso. De acordo com o relato de uma delas, hoje com 17 anos, quando tinha 14 (em 2014), ela teria procurado o padre e se confessado com ele, em razão de ter perdido a virgindade e estar arrependida. O suspeito, então, a teria questionado se, caso houvesse uma forma de ela recuperar a virgindade, ela aceitaria fazer o procedimento.

Com o "sim" da jovem, o religioso a teria orientado a ir em casa tomar banho e retornar depois à casa paroquial. Ao voltar, destacou a garota nas declarações ao promotor, o padre teria dito que faria um procedimento de "santificação" para que ela voltasse a ser virgem. Em seguida, teria solicitado que ela tirasse toda a roupa e a teria tocado em várias partes do corpo, seios, por exemplo, e também a genitália. O toque na vagina, segundo afirmado à vítima, teria como finalidade exatamente "santificar" o local para a recuperação da virgindade.

Esses contatos íntimos teriam continuado em outras ocasiões, como em um encontro religioso em Caldas Novas em 2015. Nessa ocasião, o padre teria explicado à jovem que iria tocá-la para conferir se "havia voltado a ser virgem".

A jovem relatou ainda ao MP que trocou várias mensagens por aplicativo de celular com o religioso, nas quais ele a teria orientado a seguir um outro ritual de santificação, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a "santificação". Essa troca de mensagens foi objeto do registro em uma ata notarial em cartório, medida aconselhada por uma amiga da garota, e também de uma medida judicial de interceptação telemática, que comprovou as conversas.

Já com as conversas sob monitoramento telemático, o suspeito, neste mês de agosto, solicitou novamente por mensagem novas fotos da vítima, em várias posições, incluindo a genitália. Com base nessas mensagens, a equipe do MP solicitou a identificação do proprietário do número do celular, confirmando pertencer ao padre. Esse fatos levaram ao requerimento da prisão preventiva e à deflagração da operação.

Com uma outra jovem ouvida pelo MP, os fatos, bem semelhantes, inclusive com o ritual da santificação, teriam ocorrido quando ela tinha 21 anos, também em 2014.

Crimes

A investigação apura, inicialmente, a prática, pelo religioso, dos crimes de violação sexual mediante fraude (artigo 215 do Código Penal) e o previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente). A partir da deflagração da operação, a apuração deve avançar ainda para verificar se teria havido também a prática de estupro de vulnerável (quando a vítima é menor de 14 anos).

A apuração que está sendo conduzida pelo MP foi instruída com o depoimento das jovens que teriam sido abusadas pelo padre e também de amigos e familiares que conheciam as histórias. Conforme os relatos, alguns dos abusos ocorreram dentro da casa paroquial de Americano do Brasil, no período em que o religioso esteve naquela paróquia.